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Como Escrever uma Descrição de Vaga que Atrai as Pessoas Certas
Já publicou a vaga três vezes. Mesmo título, mesmos tópicos copiados de um modelo qualquer encontrado online. Recebe quarenta candidaturas e talvez duas pessoas que consigam efetivamente desempenhar a função. As outras trinta e oito ou não conseguem fazer o trabalho, ou não o quereriam fazer se percebessem do que ele realmente se trata.
Isso normalmente não é um problema de sourcing. É um problema de escrita. A maioria das descrições de vaga é escrita para soar impressionante, não para filtrar com precisão. Eis como corrigir isso.
Comece pelo momento, não pela missão da empresa
Salte o parágrafo sobre a jornada empolgante da sua empresa. Ninguém o lê, e quem o lê costuma ser exatamente o tipo errado de candidato — está a reagir ao tom, não à função. Comece antes pelo trabalho real:
> "Vai passar a maior parte da semana a reconciliar faturas de fornecedores, a cobrar três departamentos por números de encomenda em falta, e a fechar as contas até dia 5 de cada mês."
Essa única frase filtra mais do que qualquer quantidade de linguagem tipo "espírito de equipa dinâmico". Alguém que deteste lidar com papelada vai autoexcluir-se de imediato. Alguém que seja bom exatamente nisso vai reconhecer-se e candidatar-se com confiança.
Escreva os requisitos que vai realmente verificar, não os que soam seguros
A maioria das listas de requisitos é defensiva — acrescentada porque uma contratação anterior tinha uma lacuna, ou porque parece arriscado deixá-los de fora. O resultado é uma lista de desejos que ninguém cumpre, o que ou afasta bons candidatos ou ensina toda a gente a mentir um pouco.
Antes de escrever a secção de requisitos, separe duas coisas:
- O que vai realmente testar ou verificar — uma competência, uma certificação, um idioma, uma ferramenta.
- O que espera, mas não vai verificar — "boa comunicação", "apaixonado por X".
Corte a maior parte da categoria 2. Se não consegue verificar, não é um requisito — é um desejo, e no máximo pertence a uma linha de "desejável", não aos requisitos principais.
Para a categoria 1, seja concreto:
- Mau: "Bons conhecimentos de Excel."
- Melhor: "À vontade para construir uma tabela dinâmica e usar PROCV a partir de um export bruto, sem tutorial."
A segunda versão diz à pessoa certa "sim, sou eu" e diz à pessoa errada "provavelmente não devo perder a tarde com esta candidatura". É essa a função de uma lista de requisitos — não impressionar, filtrar.
Diga o número, ou diga porque não o vai dizer
Se estiver confortável em publicar uma faixa salarial, faça-o — reduz as candidaturas de pessoas que desistiriam de qualquer forma na fase da proposta. Se ainda não estiver pronto para a publicar, decida-a internamente antes de publicar a vaga. Nada desperdiça mais tempo de ambos os lados do que três rondas de entrevistas que terminam num número que ninguém disse em voz alta até ao fim.
Descreva a pessoa que vai ser infeliz nesta função
Isto parece contraintuitivo, mas é uma das frases mais úteis que pode escrever. Toda a vaga é errada para algum tipo de pessoa boa e competente. Nomeie essa pessoa:
> "Esta função é adequada para quem gosta de uma rotina fixa e previsível. Se prospera com variedade e mudança diária, vai achar isto frustrante."
Não está a afastar pessoas sem motivo — está a poupar a ambas as partes uma entrevista que nunca ia correr bem. Uma descrição de vaga que só lista quem encaixa deixa de fora metade da informação útil.
Corte a acumulação de adjetivos
Leia o seu rascunho e conte os adjetivos sem qualquer prova por trás: "determinado", "meticuloso", "proativo", "apaixonado", "inovador". Estas palavras descrevem como gostaria que o candidato se visse a si mesmo, não algo que consiga medir. Toda a gente acha que é meticulosa. Elimine o adjetivo e substitua-o pelo comportamento:
- Em vez de "meticuloso": "identifica números que não batem certo antes de se tornarem um problema para o cliente."
- Em vez de "proativo": "confortável a decidir no que trabalhar a seguir sem orientação diária, porque nos primeiros três meses vai trabalhar sobretudo sozinho."
Coloque a informação prática onde as pessoas a consigam encontrar
Muitos bons candidatos perdem-se não porque a vaga seja errada para eles, mas porque não conseguem perceber pela publicação se a logística básica funciona. Inclua, claramente, perto do início ou do fim:
- Onde o trabalho acontece (escritório, híbrido, totalmente remoto, e se remoto — é necessário indicar que fusos horários se sobrepõem)
- Horário de trabalho, especialmente se houver turnos ou cobertura ao fim de semana
- Como é o processo de contratação e, aproximadamente, quanto tempo demora
Este último ponto importa mais do que se pensa. "Duas entrevistas e um pequeno exercício de competências, normalmente em duas semanas" mostra a um candidato sério que respeita o tempo dele. Também filtra silenciosamente quem espera saltar etapas.
Decida o que vai testar, antes de escrever o que procura
Aqui está a armadilha: é fácil escrever "fortes capacidades analíticas" numa descrição de vaga e muito mais difícil descobrir, numa entrevista, se alguém realmente as tem. Se uma competência é suficientemente importante para incluir na publicação, decida já como a vai verificar mais tarde — uma amostra de trabalho, um teste curto e estruturado, uma pergunta específica de entrevista com um exemplo real associado. Ferramentas como o AssessFit existem exatamente para colmatar esta lacuna, para que as competências que lista sejam competências que realmente consegue verificar, em vez de esperar que apareçam na conversa. Mas a ferramenta não importa se a descrição de vaga prometeu algo que nunca planeou verificar.
Uma lista rápida antes de publicar
- Alguém que faça este trabalho hoje reconheceria a sua semana na sua descrição?
- Consegue defender cada requisito como algo que vai realmente verificar?
- Indicou a faixa salarial, ou decidiu deliberadamente não o fazer e sabe porquê?
- Disse a quem esta vaga não serve, e não só a quem serve?
- A publicação indica quanto tempo demora o processo e o que envolve?
Uma descrição de vaga que filtra com honestidade vai trazer-lhe menos candidatos. É esse o objetivo. Quarenta candidaturas onde apenas duas são válidas é pior do que doze candidaturas onde seis são válidas — mesmo que o segundo número pareça mais pequeno.
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