Guias de contratação · 14 de agosto de 2026

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Como Escrever uma Descrição de Vaga que Atrai as Pessoas Certas

Como Escrever uma Descrição de Vaga que Atrai as Pessoas Certas

Já publicou a vaga três vezes. Mesmo título, mesmos tópicos copiados de um modelo qualquer encontrado online. Recebe quarenta candidaturas e talvez duas pessoas que consigam efetivamente desempenhar a função. As outras trinta e oito ou não conseguem fazer o trabalho, ou não o quereriam fazer se percebessem do que ele realmente se trata.

Isso normalmente não é um problema de sourcing. É um problema de escrita. A maioria das descrições de vaga é escrita para soar impressionante, não para filtrar com precisão. Eis como corrigir isso.

Comece pelo momento, não pela missão da empresa

Salte o parágrafo sobre a jornada empolgante da sua empresa. Ninguém o lê, e quem o lê costuma ser exatamente o tipo errado de candidato — está a reagir ao tom, não à função. Comece antes pelo trabalho real:

> "Vai passar a maior parte da semana a reconciliar faturas de fornecedores, a cobrar três departamentos por números de encomenda em falta, e a fechar as contas até dia 5 de cada mês."

Essa única frase filtra mais do que qualquer quantidade de linguagem tipo "espírito de equipa dinâmico". Alguém que deteste lidar com papelada vai autoexcluir-se de imediato. Alguém que seja bom exatamente nisso vai reconhecer-se e candidatar-se com confiança.

Escreva os requisitos que vai realmente verificar, não os que soam seguros

A maioria das listas de requisitos é defensiva — acrescentada porque uma contratação anterior tinha uma lacuna, ou porque parece arriscado deixá-los de fora. O resultado é uma lista de desejos que ninguém cumpre, o que ou afasta bons candidatos ou ensina toda a gente a mentir um pouco.

Antes de escrever a secção de requisitos, separe duas coisas:

  1. O que vai realmente testar ou verificar — uma competência, uma certificação, um idioma, uma ferramenta.
  2. O que espera, mas não vai verificar — "boa comunicação", "apaixonado por X".

Corte a maior parte da categoria 2. Se não consegue verificar, não é um requisito — é um desejo, e no máximo pertence a uma linha de "desejável", não aos requisitos principais.

Para a categoria 1, seja concreto:

A segunda versão diz à pessoa certa "sim, sou eu" e diz à pessoa errada "provavelmente não devo perder a tarde com esta candidatura". É essa a função de uma lista de requisitos — não impressionar, filtrar.

Diga o número, ou diga porque não o vai dizer

Se estiver confortável em publicar uma faixa salarial, faça-o — reduz as candidaturas de pessoas que desistiriam de qualquer forma na fase da proposta. Se ainda não estiver pronto para a publicar, decida-a internamente antes de publicar a vaga. Nada desperdiça mais tempo de ambos os lados do que três rondas de entrevistas que terminam num número que ninguém disse em voz alta até ao fim.

Descreva a pessoa que vai ser infeliz nesta função

Isto parece contraintuitivo, mas é uma das frases mais úteis que pode escrever. Toda a vaga é errada para algum tipo de pessoa boa e competente. Nomeie essa pessoa:

> "Esta função é adequada para quem gosta de uma rotina fixa e previsível. Se prospera com variedade e mudança diária, vai achar isto frustrante."

Não está a afastar pessoas sem motivo — está a poupar a ambas as partes uma entrevista que nunca ia correr bem. Uma descrição de vaga que só lista quem encaixa deixa de fora metade da informação útil.

Corte a acumulação de adjetivos

Leia o seu rascunho e conte os adjetivos sem qualquer prova por trás: "determinado", "meticuloso", "proativo", "apaixonado", "inovador". Estas palavras descrevem como gostaria que o candidato se visse a si mesmo, não algo que consiga medir. Toda a gente acha que é meticulosa. Elimine o adjetivo e substitua-o pelo comportamento:

Coloque a informação prática onde as pessoas a consigam encontrar

Muitos bons candidatos perdem-se não porque a vaga seja errada para eles, mas porque não conseguem perceber pela publicação se a logística básica funciona. Inclua, claramente, perto do início ou do fim:

Este último ponto importa mais do que se pensa. "Duas entrevistas e um pequeno exercício de competências, normalmente em duas semanas" mostra a um candidato sério que respeita o tempo dele. Também filtra silenciosamente quem espera saltar etapas.

Decida o que vai testar, antes de escrever o que procura

Aqui está a armadilha: é fácil escrever "fortes capacidades analíticas" numa descrição de vaga e muito mais difícil descobrir, numa entrevista, se alguém realmente as tem. Se uma competência é suficientemente importante para incluir na publicação, decida já como a vai verificar mais tarde — uma amostra de trabalho, um teste curto e estruturado, uma pergunta específica de entrevista com um exemplo real associado. Ferramentas como o AssessFit existem exatamente para colmatar esta lacuna, para que as competências que lista sejam competências que realmente consegue verificar, em vez de esperar que apareçam na conversa. Mas a ferramenta não importa se a descrição de vaga prometeu algo que nunca planeou verificar.

Uma lista rápida antes de publicar

Uma descrição de vaga que filtra com honestidade vai trazer-lhe menos candidatos. É esse o objetivo. Quarenta candidaturas onde apenas duas são válidas é pior do que doze candidaturas onde seis são válidas — mesmo que o segundo número pareça mais pequeno.

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